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livros #7

por cineteratura100mg, em 25.07.14

 

A Cruz de Esmeraldas de Cristina Torrão

 

 

Gosto muito de romances históricos. Gosto muito de História e gosto muito de histórias, portanto nada como juntar as duas coisas: a História em literatura.

 

Já há muito tempo que andava curiosa com esta autora, por encontrá-la muitas vezes na blogosfera, e gostar da sua simpatia. Tive a sorte de me cruzar com um livro dela na livraria da Estação de S. Bento, que visito sempre que posso, e assim poder trazê-lo comigo. 

 

O livro fala sobre a conquista de Lisboa aos Mouros pelo D. Afonso Henriques e Cruzados. No meio, para embelezar, há uma bela moura que conquista um cruzado alemão e que no final desta história ambos acabam a viver em Trás-os-montes no terreno que o rei lhes deu para que colonizassem essa parte do país e em recompensa do bom serviço prestado ao país. Mais uma vez não me desiludi pois, embora pequeno, percebi claramente o processo de recrutamento dos soldados, como se fez o cerco, o tempo que demorou e muitos outros dados sobre o assunto que desconhecia.

 

Recomendo a sua leitura.

 

 

Sinopse da Wook

Em pleno século XII, são descritos, sob uma trama de mistério e ardil, os movimentos de ambas as partes no combate da Conquista de Lisboa, que não se trava só no campo de batalha, mas também, no quotidiano de convivência dos dois povos e do amor inquebrantável vivido por uma moura e de um cruzado. Um grande mistério rodeia uma Cruz de Esmeraldas…
Um verdadeiro thriller histórico, onde D. Afonso Henriques acaba por ter um papel decisivo.

 

 

 

 

 

 

 

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livros #6

por cineteratura100mg, em 20.06.14

Minto até ao dizer que minto, de José Luis Peixoto

 

 

Por muito tempo que passe e por muito que leia outros autores, vou sempre admirar muito a escrita de José Luis Peixoto.  A simplicidade com que escreve é tanta que me deixa sempre espantada com a sua capacidade de moldar as frases mais simples e fazer delas autênticas obras de arte. Não conheço mais ninguém que seja capaz de usar as palavras assim. Também é único, a meu ver, que consegue usar pontos finais antes da frase parecer ter acabado e tudo continuar a fazer sentido.

 

Ainda me faltava este titulo na minha colecção. Agora já tenho toda a obra em prosa e quase toda a poesia. 

 

Só tenho pena que esta leitura me tenha demorado menos de 24 horas. De resto, fui feliz quando entrei na livraria da Estação de S. Bento esta quarta-feira.

 

 

 

Sinopse da wikipédia:

Minto até ao dizer que minto um conto inédito, lançado exclusivamente com a revista Visão. O conto trata de dois personagens centrais perdidos numa Lisboa deserta de lisboetas e repleta de turistas. O narrador tem uma ideia literária brilhante e rapidamente faz os preparativos para a pôr em prática. O resultado desta ideia que, segundo ele, ia abalar o mundo, fica para cada um descobrir por si próprio.

 

 

 

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livros #5

por cineteratura100mg, em 26.05.14

Os Espiões de Luis Fernando Verissimo

 

 

 

 

Gosto muito de livros que falam sobre livros, sobre a escrita e sobre os escritores. Este é um bom exemplo da boa literatura que usa a escrita como ponto de partida para a história.

 

Conhecia o Luis Fernando Verissimo de nome, mas ainda não tinha lido nada dele. Há algum tempo atrás tive a sorte de encontrar alguns bons livros no Continente a um preço excelente e pude finalmente trazer para casa cinco livros de uma vez só que é coisa para acontecer apenas em dias de festa! Este foi um deles. E foi uma grande sorte. Adorei desde a forma como o autor escreve até à história em si, simples mas rica. As personagens são todas muito bem construidas e algumas até muito engraçadas. Lê-se tudo de uma assentada e fica-se com pena que termine que não se saiba mais nada do que acontece com cada uma das personagens da história.

 

Recomendo.

 

 

Sinopse da Wook
Ainda a curar-se da ressaca do fim-de-semana, uma manhã de terça-feira o funcionário de uma pequena editora recebe um envelope branco com letras trémulas. Dentro dele encontra as primeiras páginas de um livro de confissões escrito por uma certa Ariadne, que promete contar a sua história com um amante secreto e, depois, suicidar-se.

Atormentado por sonhos românticos, esse boémio frustrado com o seu casamento e infeliz no trabalho, decide descobrir quem é Ariadne e, se possível, salvá-la da morte anunciada.

Na mitologia grega, ela ajuda Teseu a sair do labirinto. Luis Fernando Verissimo cria uma Ariadne ao contrário, que vai enfeitiçando o protagonista e os seus amigos de bar, os deliciosos e risíveis espiões deste livro. Linha a linha, como um fio costurando a comédia ao drama quotidiano, Verissimo constrói a teia de onde os seus personagens talvez não escapem - um universo alegórico, diabolicamente engraçado e culto, que também captura o leitor até ao final desse enigma.

 

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filme #5

por cineteratura100mg, em 23.05.14

O Rapaz do Pijama às Riscas de John Boyne

 

 

Este livro foi um daqueles que me fizeram saltar as emoções por todos os lados. Depois mais tarde vi o filme e na minha opinião o filme é muito bom. Posso dizer que não ficou nada atrás do livro.

 

Uma familia alemã, vai viver para um campo de concentração, porque o pai foi nomeado para trabalhar lá. Têm um filho pequeno que se torna amigo de um judeu que vive do lá de lá... Não conto mais porque quem não viu deve ver. A amizade, mais forte que tudo, sobretudo a das crianças, que são ainda a inocência que vai amenizando o mundo.

 

Aconselho vivamente o livro e o filme. 

 

Sinopse da Wook:

 

Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma.

Ao regressar da escola um dia, Bruno constata que as suas coisas estão a ser empacotadas. O seu pai tinha sido promovido no trabalho e toda a família tem de deixar a luxuosa casa onde vivia e mudar-se para outra cidade, onde Bruno não encontra ninguém com quem brincar nem nada para fazer. Pior do que isso, a nova casa é delimitada por uma vedação de arame que se estende a perder de vista e que o isola das pessoas que ele consegue ver, através da janela, do outro lado da vedação, as quais, curiosamente, usam todas um pijama às riscas. Como Bruno adora fazer explorações, certo dia, desobedecendo às ordens expressas do pai, resolve investigar até onde vai a vedação. É então que encontra um rapazinho mais ou menos da sua idade, vestido com o pijama às riscas que ele já tinha observado, e que em breve se torna o seu melhor amigo…
 

 

 

Um filme de Mark Herman

 

 

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livros #4

por cineteratura100mg, em 19.05.14

 

 

Homenagem ao Papagaio Verde e Outros Contos de Jorge de Sena

 

 

 

 

Foi a minha primeira experiência com este autor. Como ainda não tinha lido nada dele, escolhi um bocadinho à sorte e creio que comecei por algo de bastante fácil leitura. Mesmo assim gostei bastante da escrita fluente e inteligente do Jorge de Sena. Na minha próxima incursão à biblioteca tenciono trazer um dos seus romances mais conhecidos, talvez o Sinais de Fogo que mais tarde deu origem a um filme.

 

Neste "Homenagem ao Papagaio Verde e outros contos" em que começamos com um conto que pode ser lido por qualquer pessoa, dos miúdos aos mais graúdos, avançamos depois para textos mais complexos, mais adultos, mais exploratórios da alma humana, da vivência do ser comum e do ser menos comum.

 

Ao que dizerm o homem é um génio. Vou tirar isso a limpo!

 

 

Sinopse da Fnac

 


Livro recomendado pelo Plano Nacional de Leitura8º Ano de escolaridadeLeitura orientada na Sala de Aula - Grau de dificuldade III Três histórias que nos falam dos sentimentos que unem os homens, crianças e adultos, e os animais!O arisco Papagaio Verde torna-se o confidente e companheiro da criança, partilhando com ela o gosto de ouvir música e o desgosto da triste prisão em que vivem;o Sultão e o lavrador, parceiros no trabalho da terra e nas folias, que se reencontram, num apertado abraço;o desgosto e o remorso sentidos pelo rapaz, perante a imagem da águia e dos seus filhinhos, os três mortos por sua culpa.

 

 

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filme #4

por cineteratura100mg, em 09.05.14
A Casa dos Espiritos


Em tempos (na verdade há muito tempo) li de seguida vários livros da Isabel Allende. Sempre gostei da forma complicadamente simples de escrever que ela usa nas suas obras. De todos os livros que dele que li o que mais gostei foi sem dúvida A Casa dos Espiritos. Depois, aqui hás uns meses e por um mero acaso, encontrei o livro à venda a um preço convidativo e voltei a ele. Tive algum receio de que ler o livro agora, com outra idade e com a mente bem mais cheia do que há vinte anos atras, me fosse fazer gostar menos do livro. Mas gostei na mesma e arranjei forma de ver o filme baseado no livro para ver se a minha imaginação ia além ou ficava aquém do Billie August. Bem...penso que a minha imaginação foi mesmo muito além! Por isso o filme, como seria de esperar, é apenas uma sombra do livro, não só porque seria necessário um filme de dez horas para mostrar tudo, mas também porque o livro tem por vezes uns arremessos surrealista que o filme não tem, como por exemplo, o Barrabás, um cão gigante.


Mesmo assim, recomendo vivamente o filme, até porque, uma parte foi filmado cá no nosso belo Portugal! 


Um filme de Billie August









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livros #3

por cineteratura100mg, em 06.05.14

O Fabuloso Teatro do Gigante de David Machado

 

 

 

Quando peguei no livro foi porque o titulo me chamou a atenção. Gosto de passear nos corredores da biblioteca, olhar as lombadas, ler os títulos, passar-lhes o dedo, pôr-me nas pontas dos pés para ver os de cima e ajoelhar-me no chão para ver os de baixo. Tem dias que trazer dois livros não chega. Percebi então que este David era o mesmo do Índice Médio da Felicidade, sobre o qual ainda hei-de vir a falar. 

 

Algumas páginas de leitura e fiquei presa à narrativa cheia de imaginação e extremamente bem escrita. Já me tinha acontecido o mesmo no IMdF. Notei ainda com o avançar da leitura que havia ali influências de um autor de que gosto muito, o nosso recentemente falecido Gabo. Que me perdoe o autor se me engano mas não consigo deixar de associar os dois estilos, especialmente pela incrível imaginação presente na história mas também pela forma como o autor constantemente faz saltos temporais, designadamente para o futuro.

 

David Machado acabou de se instalar na lista dos meus autores portugueses preferidos. 

 

Recomendo a leitura.

 

 

Sinopse da Wook
Após ter vencido o prémio Branquinho da Fonseca com o livro infantil A Noite dos Animais Inventados, a estreia de David Machado no romance é absolutamente arrebatadora, fulgurante e poderosa. Augura-se uma promissora carreira para este jovem autor português que se evidencia neste trabalho pela técnica narrativa, originalidade e imaginação surpreendentes, entrecortadas por laivos humorísticos num verdadeiro apelo à leitura. Todos estes ingredientes conjugados com o fascínio de um dom natural com que David Machado nos presenteia tornam irresistível conhecer um universo de sonho e fantasia, irreal e profundo. Lá para os confins do Minho fica uma aldeia isolada, tão isolada no meio das serras que os seus habitantes vivem como num tempo sem tempo. Um dia dois forasteiros chegam. Um homem de estatura colossal, a quem logo chamam o Gigante, mas que na realidade tem por nome Thomas, e Eunice, uma mulher pequena de cabelos cor de fogo que dentro em breve daria à luz dois gémeos. Ele, originário de um incerto país latino-americano, é um grande contador de histórias. Um dia, porém, o gigante adormece e o seu sono prolonga-se por meses, anos, mas continua a contar as histórias com que vai sonhando. Uma obra que vai dar que falar pela sua qualidade inegável e que constitui uma lufada de ar fresco nas letras portuguesas.

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filme #3

por cineteratura100mg, em 03.05.14

Ensaio sobre a Cegueira

 

 

E se de repente deixassemos todos de ver? Como seria a nossa vida? As nossas relações? O nosso trabalho? A vida quotidiana? Como seria aprender? Ler? Continuaria a haver cinema? Comeriamos o mesmo? Como seria ter filhos?

 

Tantas perguntas a bater-me nas esquinas do cerebro...

 

A mestria de José Saramago na escrita não foi nunca ultrapassada pelo Fernando Meirelles na realização. Mesmo que a imagem valha por mil palavras e sem desprimor do realizador a verdade é que a riqueza da escrita contida nas 300 pagínas do livro não cabe em 121 minutos de filme. 

 

A ver. Eu já vi e já li.

 

 

Um filme de Fernando Meirelles

 

 

 

 

 

 

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livros #2

por cineteratura100mg, em 29.04.14

 

A Grande Arte, de Rubem Fonseca.

 

Foi nas Correntes d'Escrita, em 2012, que ouvi falar de Rubem Fonseca pela primeira vez. Ele foi nesse ano o vencedor do Prémio Casino da Póvoa, atribuido no âmbito das Correntes d'Escrita, com a obra Bufo e Spallanzani. Eu não o cheguei a ver porque nessa noite ele tinha ido dormir cedo. Na verdade compreende-se, Rubem Fonseca tem agora 89 anos. No entanto e apesar da ausência muito se falou nele. O Valter Hugo Mãe falou dele de forma sentida e apaixonada e outros lhe seguiram o exemplo. Fiquei muito curiosa com a obra deste senhor, mas só agora me foi possível ler algo dele. Claro que já o poderia ter feito antes, mas quem gosta de ler sabe que por vezes aldrabamos a sequência de livros a ler. Pelo menos comigo é assim. Faço listas com dez títulos e rapidamente passam a ter cem, porque vejo sugestões aqui e ali, vou à biblioteca ou acabo por encontrar alguma pechincha e a ordem das prioridades descamba.

 

A Grande Arte é um livro duro, diria mesmo bruto. Erótico ou até mesmo pornográfico pela clareza dos termos e das imagens que nos leva a imaginar. É um livro para pensar. Talvez a maior dureza do livro seja essa. Faz-nos pensar na condição humana, nos valores ou na falta deles, nas consequências dos nossos actos, na dicotomia entre o pensar e o fazer. Um policial cheio de ritmo, muito pouco hollywoodesco já aviso, mas muito real.

 

Confesso que passei a maior parte da leitura a imaginar o senhor muito velhinho e com ar de avô a escrever termos menos próprios e a pensar que diferentes podem ser as pessoas entre si. E mais ainda se viveram em lugares diferentes, em épocas diferentes com pessoas tão diferentes entre si. E sobre a beleza intrinseca a isso.

 

Eu aconselho Rubem Fonseca. 

 

 

 

 

Sinopse da Wook
«O assassinato de duas prostitutas, no Rio de Janeiro, que, de início, parece obra de um maníaco sexual, abre uma caixa de Pandora de onde vão brotando, no decorrer de uma ação trepidante, as complexas ramificações de um tenebroso sindicato do crime. A história passa-se em boîtes e bares sórdidos, em sumptuosas mansões do Rio, em vilarejos da fronteira entre a Bolívia e o Brasil, onde reinam a cocaína e o crime, bem como na interminável viagem de um comboio que percorre metade do Brasil com couchettes que rangem sob o peso de casais fazendo sexo.» Do posfácio de Mario Vargas Llosa

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livros #1

por cineteratura100mg, em 11.04.14

Não houve uma escolha reflectida para este livros #1. Tinha que escolher uma obra de entre tantas de que gosto para ser a primeira. O José Luis Peixoto tem outros livros de que que gosto muito e tenho também outros escritores, portugueses e não só, na minha colecção dos livros e autores de que gosto muito. Era no entanto necessário começar por algum lado, portanto começo por este, que foi um dos que mais gostei de ler num passado próximo. Talvez seja um dos meus preferidos do JLP, não só pela mestria da escrita mas também pela ternura implícita na história.

 

Mais abaixo, são dois textos meus sobre o JLP escritos em 2009. Nesse ano tornei-me seguidora do JLP para sempre. O "para sempre" já não se usa muito. Nestes dias loucos ciberespaciais o "para sempre" pode querer dizer um dia, dois, três semanas ou pouco mais. Mas digo-o na mesma com a certeza de que na minha vida há coisas que entram e não podem sair, simplesmente porque são demasiado boas para as deixar sair. A escrita do JLP é algo que depois de entrar não devemos deixar sair. Há tanta humanidade e ternura nas suas palavras que é impossível ficar indiferente. Eu sinto-me automáticamente trasportada para dentro delas.

 

"Há muito que me tornei uma seguidora fiel da escrita de Jose Luis Peixoto. Verdadeiramente desde o primeiro livro que li (Cal) que nunca mais deixei de procurar os seus livros e devorá-los, sim é mesmo essa a palavra, devorá-los. Desejar que o sono não venha para poder terminar, fazer noitadas e acordar de olhos inchados. Chorar. Rir. Imaginar os mundos que ele descreve, entrar dentro das personagens que ele cria. Tentar entrar um pouco no riquissimo mundo interior do escritor."

 

"Terminei mais um livro de um dos meus autores preferidos de todos os tempos: José Luis Peixoto. Este livro, Cemitério de Pianos, é talvez uma das melhores obras do José Luis peixoto na minha opinião. Conta a história de uma familia igual a tantas outras e no entanto diferente de tantas outras familias, unica, fala das suas dores, dos seus problemas familiares, dos sentimentos, dos anseios e angustias. Conta de forma simples mas sem duvida maravilhosa o que se passa dentro de cada uma destas personagens. Consegue com a sua escrita transportar-nos para dentro do livro. É tão verdade isto, que durante toda a leitura eu visualizei as pessoas, as casas, os vestidos, os objectos, as ruas, foi como se estivesse lá. Recomendo vivamente a leitura deste livro tão belo, tão humano, tão cheio de sentimento."

 

 

 

sinopse retirada da wook

Numa Lisboa sem tempo, entre Benfica e o centro, nascem, vivem, sonham, amam, casam, trabalham e morrem as personagens deste livro. No ventre de uma oficina de carpintaria aninha-se o cemitério de pianos, instrumentos cujo mecanismo, à semelhança dos seres que os rodeiam, não está morto, encontrando-se antes suspenso entre vidas. Exílio voluntário onde se reflecte, se faz amor, lugar de leituras clandestinas, espaço recatado de adúlteros, pátio de brincadeiras infantis e confessionário de mortos, é o espaço onde se encadeiam gerações.

Os narradores – pai e filho –, em tempos diferentes, que se sobrepõem por vezes, desvendam a história da família, numa linguagem intercalada de sombras e luz, de silêncio e riso, de medo e esperança, de culpa e perdão. Contam-nos histórias de amor, urgentes e inevitáveis, pungentes, nas quais se lê abandono, violência doméstica e faltas nem sempre redimidas que, no entanto, acabam por ser resgatadas pelo poder esmagador da ternura e dos afectos. Falam-nos de morte, não para indicar o fim, mas a renovação, o elo entre as gerações e a continuação: o pai – relação entre dois Franciscos, iguais no nome e no destino, por um gerado, do outro genitor – nasce no dia da morte desse primeiro Lázaro; o filho, neto do seu homónimo, morre no dia em que a sua mulher dá à luz.

José Luís Peixoto oferece-nos um texto mágico, no qual se cruzam, numa interacção fluida, diálogos cúmplices com a grande tradição da literatura portuguesa e universal

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